Vamos falar de Magnésio?

Magnésio é um metal alcalino terroso muito presente na crosta terrestre. É utilizado em fogos de artifício, fármacos e na confecção de ligas.

O sal de Epsom contém magnésio e é um mineral com grande potencial relaxante. O magnésio, número atômico 12, é um metal acinzentado pertencente ao grupo 2 da Tabela Periódica, também conhecido como o grupo dos metais alcalino terrosos. Foi isolado, pela primeira vez, em 1808, por Sir Humphry Davy, por meio de técnicas eletrolíticas. É o oitavo elemento mais abundante da crosta terrestre e o terceiro mais abundante do mar.

O magnésio finamente dividido, quando queimado, produz uma luz branca de grande intensidade e brilho e, por isso, ele está na composição de fogos de artifício. Esse elemento também se destaca na medicina, por estar presente no sal de Epsom e no leite de magnésia, além de ser muito importante para os sistemas biológicos, participando de diversas reações bioquímicas e sendo o átomo central da porfirina clorofila.

Resumo sobre magnésio

O magnésio é um metal acinzentado pertencente ao grupo dos metais alcalino terrosos.

Quando finamente dividido, sua combustão produz uma luz branca e intensa.

É o oitavo elemento mais abundante da crosta terrestre, sendo encontrado principalmente nos minerais magnesita e dolomita.

Pode ser produzido por eletrólise ou decomposição térmica.

É usado em ligas metálicas e medicamentos, entre outros.

É muito importante para os seres vivos, sendo o átomo central da porfirina clorofila.

Foi isolado pela primeira vez, em 1808, por Sir Humphry Davy.

Propriedades do magnésio

Símbolo: Mg

Número atômico: 12

Massa atômica: 24,3050 u.m.a

Eletronegatividade: 1,31

Ponto de fusão: 650 °C

Ponto de ebulição: 1090 °C

Densidade: 1,738 g.cm-3 (a 20 °C)

Configuração eletrônica: [Ne] 3s2

Série química: grupo 2, metais alcalinoterrosos

Características do magnésio

Amostra metálica de magnésio com pureza estimada em 99,95%.

O magnésio, quando na sua forma metálica, apresenta uma coloração acinzentada, sendo maleável, dúctil e um pouco quebradiço. Em contato com o ar, a superfície brilhante logo fica escurecida por conta da oxidação, que forma o óxido de magnésio na superfície. O óxido de magnésio superficial, contudo, protege a substância metálica interna.

Quando finamente dividido, o magnésio metálico entra em ignição em contato com o ar se a temperatura estiver mais elevada. A chama da queima do magnésio é branca e extremamente brilhante.

Magnésio (em fita) em combustão. A chama branca e brilhante é marcante desse elemento.

Quanto à reatividade, o magnésio é atacado pelo ácido nítrico, mas não é capaz de reagir com soluções alcalinas.

O magnésio é fácil de ser encontrado tanto na crosta terrestre quanto no mar. Isso porque, na crosta, ele figura como o oitavo elemento mais abundante, enquanto, no mar, é o terceiro mais abundante. Não à toa, são conhecidos mais de 80 minerais que têm, pelo menos, 20% em massa de magnésio.

Entre as principais fontes de magnésio, temos a magnesita (MgCO3), um carbonato de magnésio com teor médio de 47,8% de MgO e 52,2% de CO2. Outro mineral importante é a dolomita, uma mistura dos carbonatos de cálcio e magnésio. O magnésio ainda pode ser encontrado na olivina (um silicato de ferro e magnésio, (Mg,Fe)2SiO4) e na carnalita (um cloreto duplo de potássio e magnésio, KCl e MgCl2).

Obtenção do magnésio

As técnicas de obtenção de magnésio são basicamente duas: eletrólise ou decomposição térmica.

Na eletrólise, a principal fonte de partida de magnésio é o cloreto de magnésio anidro (sem água). O cloreto de magnésio pode ser oriundo de um mineral, como da carnalita, mas também da água do mar (muito comum nos Estados Unidos).

No segundo caso, o hidróxido de magnésio, Mg(OH)2, é precipitado pela ação do Ca(OH)2. Depois, o hidróxido de magnésio é neutralizado pelo ácido clorídrico, que, com a evaporação da água, gera o sal cloreto de magnésio parcialmente hidratado (MgCl2·xH2O). Depois, basta o sal ser aquecido até uma temperatura de cerca de 700 °C para então se tornar anidro. Posteriormente, a eletrólise segue com cloreto de magnésio fundido, obtendo-se o magnésio metálico (líquido) no cátodo.

Etapa de neutralização: 2 HCl + Mg(OH)2 → MgCl2 + 2 H2O

Reação catódica: Mg2+ (l) + 2e- → Mg (l)

Reação anódica: 2 Cl- (l) → Cl2 (g) + 2e-

Já na decomposição térmica (ou redução térmica), os carbonatos de cálcio e magnésio oriundos da dolomita são termicamente decompostos nos óxidos de cálcio e magnésio respectivamente. Assim, óxido de magnésio é reduzido pela ação do ferrossilício (FeSi), em um processo químico cuja temperatura deve ficar na casa dos 1200 ºC a 1600 °C:

2 MgO + 2 CaO + FeSi → 2 Mg + Ca2SiO4 + Fe

O magnésio é separado por meio de uma destilação em vácuo. A decomposição térmica é a técnica de produção em larga escala de magnésio utilizada na China.

Aplicações do magnésio

O brilho intenso e branco da queima do magnésio o colocou no mundo da fotografia. Embora novas tecnologias tenham sido desenvolvidas, talvez ainda seja possível encontrar magnésio em lâmpadas e flashes para iluminar cenários e fotografias. Também é comum a colocação de magnésio em fogos de artifício, de modo a intensificar seu brilho.

A baixa densidade desse metal (1,738 g.cm-3) o torna um grande atrativo para ligas metálicas. Isso porque ligas com magnésio podem ter uma massa que corresponda a um quarto do aço. Sua metalurgia mais simples também o faz popular nos setores de construção, aeronaves, além de instrumentos ópticos e eletrônicos.

Nos sistemas biológicos, o magnésio tem grande importância, já que ele é vital para que células ou enzimas de organismos vivos possam sintetizar adenosina trifosfato, DNA e RNA. O magnésio é o átomo central da porfirina clorofila, responsável pela fotossíntese.

Estrutura da molécula de clorofila, uma porfirina com o magnésio no centro.

Já na química orgânica, o magnésio foi essencial para os avanços nos estudos dos organometálicos. Embora já se conhecesse compostos organometálicos de magnésio, os que haviam sido descritos até então tinham a questão da baixíssima solubilidade, desacelerando suas aplicações. Até que, em 1900, o então doutorando francês Victor Grignard conseguiu sintetizar compostos organometálicos de magnésio solúveis e estáveis em solução, dando origem ao que hoje conhecemos como compostos de Grignard.

Essa descoberta revolucionou a química orgânica, tanto que Grignard recebeu um prêmio Nobel, em 1912, pela descoberta. Hoje, os compostos de Grignard são os nucleófilos mais populares, com centenas de milhares de publicações científicas a seu respeito.

Magnésio para a saúde

Um ser humano adulto deve consumir, em média, 300 mg de magnésio por dia. Há evidências de que a ingestão de magnésio pode reduzir o risco de derrames, insuficiência cardíaca e diabetes tipo 2.

Seu amplo papel celular também é destaque. Estima-se que o magnésio se envolva em mais de 300 reações bioquímicas. O magnésio regula a contração dos músculos, ajuda a formar o ATP e, como antioxidante, auxilia na eliminação de radicais livres, tão danosos à saúde.

O magnésio também auxilia nos efeitos da tensão pré-menstrual (TPM), pois seu controle sobre os músculos ajuda a aplacar as cólicas. Alguns ginecologistas e nutricionistas, inclusive, chegam a suplementar magnésio durante a gestação, de modo a diminuir as contrações uterinas e evitar partos prematuros.

Em nosso corpo, a maior parte do magnésio está armazenada nos ossos. Lá, ele auxilia a fim de evitar a deficiência de vitamina D, tão essencial para a saúde óssea.

O magnésio também é utilizado na fabricação de remédios. O mais famoso é o leite de magnésia, uma suspensão de hidróxido de magnésio utilizada como antiácido e laxante. O citrato de magnésio é aplicado em remédios efervescentes, enquanto o sulfato de magnésio é comercializado sob o nome de sal de Epsom, conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e relaxantes.

Frasco de leite de magnésia, um famoso antiácido e laxante.

História do magnésio

A palavra magnésio vem de uma expressão latina magnesia alba, que significa “magnésia branca”, nome dado ao carbonato de magnésio. Contudo, entende-se que o nome do elemento teve origem grega, uma vez que Magnésia era um distrito de Tessália, Grécia, local em que foi encontrado o mineral esteatito, um silicato de magnésio hidratado, conhecido como talco ou pedra-sabão.

Embora já se conhecesse compostos de magnésio, como o sal de Epsom, descoberto em 1618 por Henry Wicker, na cidade de Epsom, ao norte do condado de Surrey, Inglaterra, o magnésio só foi obtido na forma pura em 1808, por Sir Humphry Davy. Davy utilizou o mesmo método eletrolítico desenvolvido por Jöns Jakob Berzelius e Magnus Martin Pontin para isolar o sódio, bário, potássio, estrôncio e cálcio, nos anos de 1807 e 1808.

Fonte: brasilescola.uol.com.br

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