Você sabia? Função poética

Dentro das funções da linguagem, a função poética é aquela que está centrada na própria construção da mensagem, no modo como se elabora e se transmite o seu conteúdo.

O que é função poética?

A função poética é uma das funções da linguagem. Nessa função, o enunciado centra-se principalmente na mensagem, em sua construção, em sua forma e em seus efeitos. É uma função ligada à estética e que permite uma interpretação mais livre de quem acessa o seu conteúdo.

É importante lembrar que, apesar do nome, a função poética não ocorre apenas na poesia. Ela pode ocorrer em diversos outros contextos verbais e não verbais, como em textos de prosa, publicitários, em músicas e na pintura. A função poética está presente em qualquer manifestação discursiva que se enquadre nas características dela.

Características da função poética

A linguagem como expressão artística: a comunicação tem seu caráter essencialmente utilitário e prático diminuído, voltando-se mais para a expressão artística para gerar reflexões e sensações.

Múltiplas interpretações: enunciados com função poética tendem a ter muitas possíveis interpretações. Na função poética, a mensagem não é necessariamente objetiva, podendo ser subjetiva.

Uso de linguagem conotativa: as palavras muitas vezes são utilizadas em seu sentido figurado. A linguagem denotativa (sentido literal) não é essencial na função poética.

Preocupação estética: a forma como a mensagem é transmitida é uma preocupação da função poética, o que inclui a estética da mensagem.

Sonoridade é um diferencial: é comum que até mesmo o som seja importante para a escolha das palavras na construção do texto, gerando efeitos em sua interpretação.

Uso de recursos estilísticos: figuras de linguagem tendem a ser muito utilizadas, já que se trata de uma função que explora os recursos sonoros e a estética do enunciado.

A forma chama atenção por si só: devido às características anteriores, a própria forma do enunciado chama atenção por si só, de modo que ele não tem um significado apenas pelo seu conteúdo, mas também por sua forma.

Exemplos de função poética

A marca Tok&Stok é um exemplo de função conativa, mas também de função poética se levarmos em conta alguns detalhes. Embora, por ser um nome de marca, tenha predominantemente função conativa (para atrair o destinatário à loja), há nesse nome também a função poética devido à sonoridade singular, que chama a atenção do possível consumidor.

Agora, leia este poema, de Fábio Bahia:

Nele, podemos notar que a leitura não é feita de maneira comum: o texto é um poema concreto, pois a distribuição das palavras assume a forma de uma ampulheta. Trata-se de outro caso nítido de função poética.

“Era o danado jagunço por sua fortíssima opinião e recatado rancor, ensimesmudo, sobrolhoso, sozinho sem horas a remedir o arraial, caminhando com grandes passos.”

(Tutameia, de Guimarães Rosa)

A palavra “ensimesmudo” é um neologismo criado pelo autor, misturando as palavras “ensimesmado” e “mudo”, bem como “sobrolhoso” é outro neologismo surgido com base em “sobrolho”, sinônimo de sobrancelha. A função poética manifesta-se por utilizar-se, nesse caso, da sonoridade das palavras para criar uma outra que resume uma ideia, reforçando o significado das outras palavras utilizadas para caracterizar a personagem nesse contexto.

Língua portuguesa

(Olavo Bilac)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura;
Ouro nativo, que, na ganga impura,
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceanos largos!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

parnasianismo é uma das escolas literárias que mais buscam a perfeição estética de suas obras, como podemos ver na escolha das palavras, nas rimas e até no tamanho dos versos desse poema de Olavo Bilac, um dos poetas do movimento.

Fonte: preparaenem.com

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